Apertura da Jornada de 13 de maio de 2017 – Ger-Ações- 10 anos-

Por

Delia Catullo Goldfarb

No ano 2007 nasce a Ger-Ações – Centro de Pesquisas e Ações em Gerontologia em decorrência do empenho, desejo e sonho de um grupo de profissionais capacitados para trabalhar no campo da Gerontologia.

No começo nossos objetivos não estavam muito delimitados mas já sabiamos que procuravamos atuar como um centro inovador e de excelencia em pesquisas, capacitação, assessoria e ações em Gerontologia, buscando o desenvolvimento de e divulgação de conhecimentos técnicos e científicos voltados para as questões do envelhecimento humano, especialmente na formação de profissionais, no engajamento na luta dos idosos en relação a seus direitos de cidadania e na elaboração de Políticas Públicas que contribuissem na construção ativa de uma nova imagem da velhice.

Em 2005 alguns de nós já tinha participado a um congresso em Buenos Aires onde conhecimos colegas de America Latina. O encontro se repetiu em 2007 em Montevideu, e desde então os chamamos Congressos de Psicogerontologia

O primeiro grande desafio foi a organização, junto à PUC-SP do III congresso Iberiamericano de Psicogerontologia en 2009, onde participaram numerosos representantes so saber gerontologico de America latina e Europa. Nessa oportunidade se realizou um Encontro de Idosos que tiveram a oportunidade não só de participar do Congresso como um todo senão tambem de levantar questões específicas que fazem à participação e visibilidade do idosos na nossa sociedade. Foi uma oportunidade impar para o crescimento e divulgação de nossas propostas a partir de um espaço de construção de conhecimento compartilhado com os protagonistas.

Constituimos a REDIP (Rede Interdisciplinaria Latinoamericana de Psicogerontologia) que continua atuando, congregando os profissionais de nossa america latina e construindo conhecimentos especificos. Ja realizamos 6 congressos e o proximo sera em novembro no Chile.

A partir desse momento não paramos mais… claro que tivemos epocas melhores e piores….. de mais produção e criatividade e de paradas para a refexão e mudanças de rumo….. mas continuamos construindo nossa identidade e nossas propostas foram se reinventando….. como nossas vidas.

Como organização que conta entre seus principais interesses com o ensino e pesquisa construimos varias parcerias especialmente com a UNIFESP, a PUC-SP, (especificamente o PEPGG), a Universidad de la Republica del Uruguay (UDELAR) e outras instituições de ensino e pesquisa.

Como nossa atuação ía ficando cada vez mais complexa decidimos criar núcleos que nos permitissem um dessenvolvimento mais orgânico…..

Assim surgiu o Núcelo de Acompanhamento Teraputico no Envelhecimento. Este núcleo nasce da experiencia clínica de um grupo de membros da Ger-Ações, cresce como trabalho pioneiro no mundo e recebe grande reconhecimento por parte de nossos colegas. O NAT, hoje coordenado por Maíra, realizou varias exitosas jornadas de AT no envelhecimento; participou de inumeros encontros e congressos, proferiu cursos em Bolivia, Uruguay (em novembro sera em Chile) e publicou o primeiro livro de que se tem notícias sobre AT no envelhecimento…….. Travessias do Tempo.

Mais recentemente, e seguindo as demandas de atuação política que o momento de nossa sociedade impõe, e tambem como consequencias de accões que já estavam na nossa prática, surge o Núcleo de Direitos Humanos e Políticas Públicas que tão bem coordenam Cristina e Maria Alice, que além de estudar os caminhos de nossas PP em relação ao idoso, tem uma atuação junto a suas organizações específicas.

Assim a Ger-Ações participa na Rede de Proteção e Defensa da Pessoa Idosa onde nossa representante é Ana Rosa, rede esta formada por agentes públicos da prefeitura de SP, representantes da sociedade civil como a Ger-Ações e público em geral.

O Nuceleo de DHPP desde 2015 esta bastante concentrado na divulgação e luta pela Convenção Interamericana dos Direitos das Pessoas Idosas, promulgada pela OEA. Este é o primeiro instrumento internacional juridicamente vinculante voltado para a proteção e a promoção dos direitos das pessoas idosase a pesar de Brasil ter assinado a proposta, ainda não a ratificou.

Com este objetivo, o NDHPP temos uma parceria com a Defensoria Pública, onde a defensora Renata Tybiriça desenvolve um trabalho incansável e em 2016 fomos convidados a formar parte da sub-comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa como representantes para a questões que se referem à população idosa.

Em 2012, decidimos que um curso de Psicogerontologia, ja consolidado durante 7 anos, que tinha sido oferecido por mim no Sedes e na COGEAE, passasse para a Ger-Ações com o que se formou uma equipe de coordenação que nos permite ir ajustando as demandas e necessidades de nossos alunos e aprofundando as pesquisas que nos sustentam.

Participamos tambem da Virada da Maturidade e de outros eventos significativos para nosso trabalho.

Neste tempo todo, muitas pessoas passaram por nossa orgaização e todas deixaram aqui uma parte de si que guardamos com muito carinho, deixaram algum conhecimento, alguma idéia que tentamos aproveitar muito bem, todas nos fizeram crescer e aprender. Nosso muito obrigado a todas.

Muitas novas integrantes chegaram com energias renovadas e novos projetos, novas propostas e experiencias históricas que nos enriquecem. A todas tambem obrigadas. Nos toca viver um momento muito difícil, de grandes retrocessos e ao mesmo tempo de projetos desafiadores. Precissamos muita força e paciencia….

 

Agora para concluir quero comentar brevemente algo que acho que muitos se perguntaram ao ver a divulgação deste nosso encontro: O que é isso de Clínica Política ? porque essa interface clínica- política?

Ante esta definição cabe perguntar-se sobre a relação entre os modos de produção do capitalismo contemporâneo, a produção de subjetividade e o exercício da clínica .

Esta pergunta nos obrigaria a discutir o plano da clínica na sua inseparabilidade da filosofia, da arte, da ciência, e, em especial para nós, da política.

Mas, só como intridução quero dizer que quando falamos de clínica como processo de produção de subjetividade, significa que estamos dispostos a entrar no campo da crítica do instituído, do dado, o que nos compromete politicamente.

Trabalhamos na clínca com a idéia de processo de modo de subjetivação e não com a ideia de sujeito terminado e completo; com a idéia de construção, experimentação, engendramento e não interpretação da realidade (dada) estática.

Então estamos sempre trabalhando com a instabilidade, com a crise como plano permenente. O Plano é algo que esta sempre em construção, se fazendo…..

No coletivo, no público, no multitudinário encontramos redes geradoras de efeitos de diferenciação. A clínica, tal como a entendemos, pressupõe conectarnos nas redes produtoras da diferença.

Ou seja, podemos fazer uma clínica em acordo aos princípios do poder dominante (como querer curar” homosexuais) ou uma clínica como plano-projeto de novas formas de existencia….. neste caso, especialmente na atualidade, é uma clínica da resistiencia.

 

Finalmente, quero agradecer a presença de todos e reafirmar nossa missão comprometida com a democracia participativa, com o Direitos Humanos e a justiça.

 

 

 

 

 

 

 

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