É MELHOR ESQUECER: REFLEXÕES SOBRE A MEMÓRIA E O FENÔMENO DEMENCIAL – Delia Catullo Goldfarb

“É MELHOR ESQUECER”

Reflexões sobre a memória e o fenômeno demencial [1]

DELIA CATULLO GOLDFARB

Publicado em: Complexidade: velhice e envelhecimento. Beltrina Corte, Elisabeth Mercadante e Irene G Arcuri. São Paulo: Vetor 2005, p. 185-206.

 

RESUMO: Este artigo traz uma síntese do desenvolvimento histórico do conceito de demências partindo do estudo da questão da memória desde a mitologia grega até os dias atuais. Aborda a causalidade, a complexidade do diagnostico, aspetos descritivos e sociais da temporalidade, da memória e do fenômeno demencial.

Palavras Chaves: Alzheimer, Demências, Memória, Psicanálise.

 

Na mitologia grega, encontramos a questão da memória simbolizada sob seus dois aspetos: Mnémesis e Lethe, memória e esquecimento. Segundo o mito de Lethe, existem no inferno, duas fontes próximas: Mnemosyne, a fonte da memória, e Lethe, a fonte do esquecimento É desta fonte que os mortos vão beber para esquecer da vida terrestre ou seja, sua história de vida. Agora, às almas que retornam ao mundo dos vivos, Lethe as faz esquecer do mundo subterrâneo dos mortos. Em qualquer uma das duas funções, Lethe está promovendo o esquecimento necessário para evitar o sofrimento excessivo. (Chevance 2003).

Segundo outra versão do mesmo mito, a função da memória era um dom divino conferido especialmente aos poetas por Mnemosyne. Seu objetivo era possibilitar o acesso ao outro mundo e o retorno ao mundo dos vivos. Nesta versão, é a mesma Mnemosyne que provoca tanto a memória quanto o esquecimento (Lethe). A rememoração que o poeta faz do passado tem como contrapartida o esquecimento do presente. Para aceder ao eterno tempo dos deuses, deve se afastar do tempo humano marcado pelo cansaço, a angústia, e as misérias da vida terrena. (GarciaRoza, 1995) Mas Lethe, fonte do esquecimento, é filha de Eris -a discórdia– e irmã da morte e do sonho.

Na obra freudiana encontramos textos dedicados ao estudo da memória desde 1895 quando no “Projeto de uma psicologia para neurologistas” Freud define o aparelho psíquico como um aparelho de memória.

Nas “Lembranças encobridoras” de 1899, afirma que a memória não pode estabelecer um encadeamento lógico antes dos 7 anos e que só a partir dessa idade as recordações adquirem uma coerência graças à significação psíquica que o sujeito lhes atribui. O que mais nos interessa neste trabalho é a idéia de que a memória não atua de forma aleatória e que algumas recordações surgem para impedir o aparecimento de outras, mais conflitivas, às quais estão associadas. Neste sentido, as lembranças teriam uma função de preservação do sujeito na medida que bloqueia o acesso ao que o faria sofrer demais. No mesmo artigo nos fala de lembranças progressivas e regressivas para localizar se aquela recordação específica encobre um fato anterior ou posterior ao fato ao qual aquela recordação se refere.

Freud continua trabalhando esta articulação entre memória e temporalidade em artigos posteriores como “A interpretação dos sonhos” de 1900, “Psicopatologia da vida cotidiana”de 1901 e “O poeta e o fantasiar”de 1908, só para citar alguns.[2] Agora, em 1914 escreve “Recordar, repetir, elaborar” onde, entre outros instigantes assuntos, questiona o conceito de verdade histórica das recordações. Isto quer dizer que a lembrança atual é produto de um processo temporal modificador já que o sujeito que lembra um fato do passado já é outro diferente daquele que viveu aquele fato. A recordação também é atravessada pelo desejo atual que provoca à memória e, de tempos em tempos, se produzem re-transcrições que resignificam as recordações -ou seja, a própria história – à luz da experiência do tempo presente.Neste sentido, a lembrança não seria um resgate mas, uma construção. Mas, por não ser este nosso objetivo neste momento, não nos aprofundaremos na obra de Sigmund Freud e passaremos então ao tema específico das demências.

Fazendo um pouco de história vemos que há 300 anos se definia como demente às pessoas que demonstrassem qualquer nível de perda da razão, loucura, atividade delirante o conduta insensata. Mas o uso que se faz atualmente do termo demência não é muito antigo. No Aurélio, a demência é definida como “deterioração progressiva e irreversível das funções intelectuais, resultantes de lesões cerebrais” e na sua acepção popular, o termo é usado como “loucura, doidice, parvoíce e procedimento insensato”.

Em 1787 Cullen faz uma primeiras descrições de estados demenciais próximas ao conhecimento com que contamos na atualidade quando diferencia as formas inatas, acidentais e senis. No sec. XIX, encontramos uma produção científica prolífica. Em 1816, Esquirol diferencia a demência da deficiência mental congênita (idiocia) dizendo: “o demente é um rico que virou pobre, enquanto o idiota[3] foi sempre pobre” (idem, p. 5).

Uma das obras fundamentais deste período foi a de Kraepelin que em seu “Tratado de psiquiatria” de 1883, inclui as demências senis no item Loucuras da Idade Involutiva, junto com as melancolias e o delírio pré-senil de dano. Esta classificação é um resgate da psiquiatria clássica, que aceitava as alterações comportamentais e psíquicas como meras manifestações de desordens biológicas e desarranjos humorais e privilegiava a descrição sintomática deixando de lado os critérios etiológicos que tinham dominado a primeira metade do séc. XIX. A vantagem deste tipo de classificação é que, segundo ela, a doença mental pode ter causas endógenas ou exógenas, mas, estas últimas só produzem uma patologia quando atuam sobre uma predisposição orgânica. Podemos comprovar que, nesta época, já se acreditava que as demências senis eram, em sua totalidade, produto do desgaste “natural” do cérebro e de problemas vasculares; eram “coisas de idade” e, como tais, inevitáveis.

Já no séc. XX (1907), Alois Alzheimer, psiquiatra e anatomopatólogo alemão, publica o caso de uma mulher de 51 anos, falecida após cinco anos de evolução de um quadro de demência com alucinação, que lhe permitiu o primeiro exame histológico, no qual identificou conglomerados neuronais, fibras anômalas e placas senis. Essa degeneração neurofibrilar passou a ser tomada como a característica patológica da doença que, desde então, leva seu nome e foi considerada uma demência pré-senil por causa de seu aparecimento prematuro.

Pouco depois, em 1911, Emmanuel Régis (1855–1918) -médico francês muito interessado nas teorias freudianas- descreve também um quadro de Pré-decadência Cerebral caracterizado por enfraquecimento da possibilidade de transformar as sensações em idéias, diminuição da capacidade criativa, estreitamento do campo cerebral e preponderância da reminiscência e do automatismo; sintomas aos quais se sucederiam os próprios da fase essencial de demência

A Fase Essencial se caracteriza por falta de precisão e lucidez das idéias e do juízo, lacunas de memória e fadiga. A amnésia afeta em primeiro lugar as lembranças mais recentes e depois, progressivamente, as mais antigas, menos aderidas. Esquece-se o nome das coisas e a linha discursiva, ficando-se entretido nos detalhes e se esquecendo do resto da história que se queria contar.

Neste quadro, observa-se uma clara diminuição da associação de idéias, da atenção e da vontade. Há uma retração sobre si próprio e um abalo significativo das atividades intelectuais em geral. É também característica dessa fase uma emotividade exagerada em relação a fatos sem importância, que convive com uma acentuada indiferença perante episódios mais significativos. Simultaneamente, começa-se a perder as atitudes mais educadas, os bons costumes, e se assiste ao congelamento da afetividade. Régis nos lembra também que a atividade psíquica normal requer boa memória, representações numerosas e rápida associação de idéias, características ausentes no começo da doença demencial.

O autor coloca como ponto de partida um “abandono da vida psíquica normal”, o que traria como conseqüência a perda de memória, e não o inverso, como é tão comum encontrar na literatura específica. E acrescenta: “A estes sintomas psíquicos unem-se, ordinariamente, signos somáticos” (Régis, 2001) como fadiga, vertigens, ruídos nos ouvidos, cefaléias, transtornos do sono, locomoção a passos curtos etc.

No Período de Estado, que descreve a seguir, a amnésia se estende aos fatos recentes e a todo o saber adquirido, não se conservando mais que as aquisições da primeira infância. Nessa fase também se apresentam certas incoerências: o demenciado, apesar de ter esquecido tudo, é capaz de atividades como ler um jornal, jogar cartas ou xadrez, momentos em que a memória das palavras parece conservada.

Finalmente, Régis descreve a Fase Terminal como a absoluta perda de toda inteligência e a deterioração orgânica total quando “não existe nada do que foi noutro tempo. Emagrece, apresenta total incontinência esfinteriana, é reduzido a um estado mais ou menos completo de decrepitude, …(idem).

 

Na clínica psicanalítica com idosos achamos dois grandes motivos de consulta: depressão e problemas de memória. Sabemos que alguns desses quadros podem evoluir para uma demência e, embora na consulta todos falem desse temor, a palavra demência raramente é pronunciada. Também sabemos que não é necessário estar dentro de um consultório para ouvir sobre esse medo. É só prestar atenção nos idosos, e mesmo em pessoas mais jovens, para descobrirmos variados neologismos e até gestos que nos falam sobre essa ameaça. Também é muito comum, nos dias de hoje, que os idosos manifestem seu medo de ter um Alzheimer – termo que vem substituir outro já em franca decadência – a esclerose – com o que definem qualquer forma possível de demência.

Agora, se uma pessoa de 35 ou 40 anos mostrar um quadro confusional, esquecer demais das coisas e, por causa disso, mostrar-se irritada ou deprimida, logo será tratada, uma vez que se reconhecerá nessa conduta algo de anormal. Mas, se isso acontecer aos 70, 75 anos, ou mais, muitos ainda dirão que são coisas da idade. É fundamental reafirmar que a demência não é considerada parte do envelhecimento dito normal, e sim um quadro patológico grave, freqüente na velhice, mas que é contingente e não necessário. Isto nos marca um caminho a seguir que considero da maior relevância: sempre que existe uma queixa sobre transtornos de memória, esta deverá ser ouvida em seu profundo sentido subjetivo, em sua significação singular na história desse sujeito. Não deverá ser ouvida como “coisas de velhos” e sim em sua profunda significação como discurso sobre o esquecimento.

A característica fundamental desses tipos de processos é o marcado déficit de memória, que terá como conseqüência perturbações das aptidões cognitivas, pensamento, fala e coordenação motora. Tais perturbações são suficientemente severas para interferir na vida familiar, social e de trabalho da pessoa que delas padece.

Quanto à causalidade, são inúmeras as hipóteses que se manejam; o único consenso é o que assinala sua idade-dependência. Isso quer dizer que, quanto mais tempo vive, maior a probabilidade de o sujeito ser afetado por algum tipo de demência (ou de câncer, ou de problemas vasculares ou de qualquer outra coisa). Em relação às demências atribuídas a um dano cerebral progressivo (especialmente do córtex cerebral), as etiologias ainda não foram esclarecidas, embora profundamente estudadas. Pensa-se em causas variadas que vão desde fatores tóxicos até causas genéticas, mas até o presente só há muitas hipóteses e nenhum tratamento que vise à cura. A única novidade dos últimos anos consiste em novos medicamentos que, em alguns casos, podem retardar a progressão do processo.

Se falarmos de diagnóstico comprovaremos que também a questão é muito complexa. Na “Enciclopédia Médico-Cirúrgica”, Brion (1978) define as demências como “uma deterioração global, progressiva e irreversível das funções intelectuais; por definição, trata-se de um fenômeno crônico e incurável”. Embora na versão de 1988 da mesma enciclopédia, tenha-se eliminado o termo “por definição”, o estigma de irreversibilidade continuou presente.

Assim, o diagnóstico de demência transforma-se numa condenação à exclusão. Em princípio, deveríamos pensar que nenhuma doença é incurável, menos ainda “por definição”, já que o que a faz incurável é o fato de ainda não se ter descoberto a cura. Por outro lado, os inúmeros pesquisadores que dedicam sua vida à pesquisa nesta área o fazem a partir do ponto de vista de uma causalidade neurológica. E dado que esta é a hipótese que comanda a direção da pesquisa, os resultados válidos serão apenas aqueles que corroborem ou neguem as hipóteses iniciais, sem produzir uma ampliação do campo de observação que leve à construção de outras hipóteses que ajudem a explicar o fenômeno.

Atualmente, as possibilidades de se fazer um diagnóstico apurado têm crescido consideravelmente graças ao progresso dos diagnósticos por imagem. Isto permite que seja possível diferenciar as chamadas demências “verdadeiras”, de causas neurológicas, das “pseudodemências”, de causas psicológicas por exemplo.[4]

Freqüentemente os familiares se sentem enganados e manipulados pelo paciente quando recebem este tipo de diagnóstico: “o médico diz que ele não tem nada, os exames não demonstram nada, é pura manha de velho” eles dizem … porém, nestes casos, esse “não ter nada” refere-se ao fato de não ter nada detectável no organismo, no corpo biológico. Mas a pessoa que se deprime e se demência tem muito, até um excesso, de sofrimento, de angústia, de perda.. Os melhores métodos diagnósticos, não dão conta dos pensamentos, dos afetos, das emoções, dos conteúdos das lembranças, dos lutos impossíveis e fundamentalmente, da especial significação dos esquecimentos. Só podem detectar perturbações morfológicas e funcionais no substrato material destas funções psíquicas tão imateriais. Além do mais, a maioria dos diagnósticos ainda são feitos por exclusão de outras patologias.

Se fosse possível realizar o diagnóstico de forma multidisciplinar, precocemente, ante os primeiros sinais de deterioração cognitiva, angústia ou mudança de comportamento, poderíamos deixar em suspensão seu aspecto condenatório e iniciar uma ação terapêutica visando a manutenção e fortalecimento das funções conservadas, restaurar –na medida do possível – as perdidas e trabalhar sobre o luto interrompido dando continuidade ao processo elaborativo.

Sem dúvida, muito se tem avançado nos estudos sobre os estados demenciais, mas as contradições continuam, pois nem sempre a imagem de um cérebro profundamente lesionado corresponde a uma conduta geral e uma memória seriamente deficitária. Em alguns casos, a imagem considerada normal se acompanha de uma conduta profundamente afetada, e o contrário também é possível. Com as necropsias, a situação é igual. Então, a pergunta continua sendo a mesma: por quê?

Yvon Lamour (1990), pesquisador dedicado ao estudo dos mecanismos biológicos do envelhecimento, usa a metáfora do computador para exemplificar esta questão e apoiar a idéia de uma pesquisa multidisciplinar. O hardware representa os neurônios, as fibras nervosas, etc, enquanto o software representa os processos que acontecem dentro da máquina. E, embora fique claro que o software não funcione sem o hardware, o mais profundo conhecimento deste não explica as características, as propriedades nem os efeitos que a utilização de determinado software provoca. O conhecimento do hardware seria, para este autor, o domínio da neurologia, e o do software corresponderia à psicologia cognitiva e à psicanálise. E não se pode entender o funcionamento de todo o sistema desconsiderando um dos elementos.

Assim, abrindo o campo de pesquisa, pode-se formular uma causalidade multifatorial para as demências, um novo entendimento sobre a dinâmica de fatores externos e internos, de maneira a constituir uma hipótese psicogénica – na qual o desejo de esquecimento seja tão forte que possa provocar uma perda neuronal– que co-exista com as hipóteses genéticas, tóxicas, e tantas outras que possam surgir, sem que necessariamente, se excluam umas às outras.

Em relação ao aspecto descritivo podemos observar que as pessoas demenciadas tem dificuldades para registrar os fenômenos atuais, enquanto os fatos do passado surgem vivamente em sua memória. Este passado pode até ressurgir na memória com uma força surpreendente e, embora seja este um fenômeno freqüente no processo de envelhecimento, observa-se que essas recordações aparecem mais claras e detalhadas do que antes de começarem os esquecimentos correspondentes ao presente, além de se apresentarem muito mais freqüentemente que antes.

Uma paciente relatava assim sua experiência: “Sei que estou com problemas de memória, me esqueço das coisas de todos os dias, se coloquei sal na comida, ou se fechei o gás, essas coisas, mas o mais estranho é que sinto que tenho uma grande memória, maior do que nunca, lembro tudo da minha vida, os detalhes de quando era pequena, da casa onde morava, de meus pais, da comida de minha mãe, até do cheiro eu lembro. Me lembro do cavalo de meu primo, das coisas que cultivávamos, dos vizinhos, da escola, tudo tudo, o tempo inteiro”. Mas os esquecimentos do presente provocam conflitos, impedem a operatividade no cotidiano, causam brigas, geram culpas.

Outra senhora dizia: “É terrível, não sei que acontece, eu sempre fui muito eficiente, minha família nem precisava me pedir nada, eu já sabia o que cada um queria, ia e fazia….. agora, até quando me pedem eu esqueço….. eles ficam bravos… eu sei que eles sofrem por minha causa…… eu sei que devo me esforçar mais….. eu tento mas……” e a família reforça: “Ela deveria prestar mais atenção, não se esforça”

Após um certo tempo o passado será também esquecido como relato organizado historicamente e passível de ser relatado, conservando-se só a memória de alguns fatos, como ilhas de saberes, sem conexão aparente entre si.

Ao mesmo tempo, esquecem-se as palavras que permitiriam nomear os objetos, ainda os mais conhecidos e necessários, e as perífrases[5] tentam explicar as funções dos objetos que se deseja designar. Aos poucos, as pessoas, das mais distantes às mais próximas, deixam de ser reconhecidas, e a desorientação temporo-espacial se instala. Começa então uma errância incontinente, como uma estéril procura do espaço e do tempo perdidos. Chegados neste ponto, não haverá mais manifestação de um pensamento coerente e todos os atos mais elementares da vida se tornam impossíveis, comprometendo de forma mais o menos total a autonomia no caminho da deterioração total do sujeito.

Alguns estudos (Derouesné 2003) mostram um incremento das queixas de memória quando coexistem com uma apreciação negativa de saúde em geral. Queixas que se acentuam após o aparecimento de dificuldades visuais, auditivas, de locomoção ou de quadros que derivam em limitações alimentares por exemplo, como são a hipertensão ou a diabetes. Da mesma maneira, aumentam também relacionadas com fatores emocionais como lutos, ansiedade, perda de bem-estar geral, e perda de suportes sociais.

O fato da existência de um declínio leve relacionado com a idade é contestado por alguns pesquisadores que não encontram no fator idade uma variável suficientemente forte. Para estes, o declínio da capacidade de memória é colocado como um sintoma multifatorial . Trata-se de um quadro no qual se inscrevem fatores orgânicos como o envelhecimento do cérebro e outros órgãos, problemas vasculares, déficits endócrinos etc; fatores psicológicos ligados à idade como mudança de imagem corporal, da sexualidade, da identidade e fatores sociais que provoquem solidão, isolamento ou violência. Nesta perspectiva, alguns sujeitos simplesmente se adaptariam a estas modificações e encontrariam estratégias de compensação e outros não.

Para outros pesquisadores como Dartigues (1997) o declínio leve da memória, só é significativo para um diagnóstico de demência quando acompanhado por baixos resultados nos testes específicos. Freqüentemente, pacientes que apresentam queixa sobre perturbações de memória, obtêm muito bom resultado nos testes e escalas de avaliação, o que leva a descartar o diagnóstico de demência em favor de algum outro, especialmente depressão.[6] Se existe um denominador comum para esta multiplicidade de fatores, pode ser encontrado em uma diminuição da auto-estima desencadeada pela perda da confiança no poder da própria memória. Isto poderia provocar uma atitude negativa que levasse a evitar tudo o que pudesse desencadear o trabalho da memória, desde as coisas mais simples do cotidiano, até as reminiscências mais elaboradas.

Há uma pesquisa muito interessante realizada por cientistas da Universidade de Kentucky com um grupo de 678 freiras que relaciona a questão da linguagem com a incidência da Doença de Alzheimer.[7] Desde 1986, os pesquisadores fizeram testes cognitivos e dissecaram os cérebros das religiosas que morriam, para descobrir fatores de risco para a doença. Além de descobrirem que as portadoras tinham pouca concentração de ácido fólico no cérebro, concluíram também que o estilo de vida era relevante. A pesquisa demonstrou que o alto nível educacional e vida intelectual ativa, embora não evitem a doença, protegem o cérebro de seus efeitos devastadores. Porém, o mais surpreendente foi a relação encontrada entre incidência de Alzheimer e tipo de personalidade e as modalidades da linguagem.

Trata-se de uma ordem que exige que cada noviça, ao ingressar à vida religiosa, (aproximadamente aos 22 anos) escreva uma autobiografia. Os casos estudados tinham entre 79 e 96 anos ao morrerem.

Nesta pesquisa surgem alguns dados muito interessantes como o fato de todas as mulheres pesquisadas partilharem o mesmo tipo de vida e terem um nível educacional semelhante. Os neurologistas avaliaram a capacidade lingüística tomando como base dois critérios: a densidade das idéias e a complexidade gramatical. A densidade das idéias é medida segundo o número de idéias expressas em grupos de dez palavras e manifesta o grau de conhecimentos, o nível de estudos e o vocabulário, enquanto a complexidade gramatical está ligada com a memória, a capacidade de realizar tarefas rápidas e a escrita.

Os autores da pesquisa encontraram uma correlação entre a pobreza das aptidões linguísticas aos 20 anos e os baixos resultados nos testes cognitivos 60 anos depois . Cinco entre quatorze casos estudados tinham manifestado a doença de Alzheimer; em todos eles, a densidade de idéias na autobiografia era muito baixa, já a baixa complexidade gramatical, embora presente, era menor. Agora, o que mais nos chamou a atenção é que, entre as 200 autobiografias analisadas, pôde ser constatado que as que expressavam emoções como gratidão, alegria, amor confiança e esperança foram menos atingidas pelo Alzheimer que aquelas outras que expressavam tristeza, medo, insegurança, raiva ou vergonha.

Vamos agora considerar o aspecto social na produção do fenômeno demencial. Cabe então assinalar que a subjetividade da qual estamos falando é, em grande medida, da ordem da produção social e isso nos remete a pensar a relação entre demência e desamparo. Vou comentar dois fatos relativamente recentes que nos auxiliarão neste entendimento: em 1990, o presidente Collor assume o governo do Brasil decide confiscar os depósitos em poupança. Seis meses mais tarde, a procura grupos de apoio a familiares de portadores, da Asociación Brasileira de Alzheimer cresce de forma alarmante. Uma cirurgia que não pode ser realizada, uma viagem que no pode mais ser sonhado, a casa que não será comprada. Raiva, vazio, desesperanza, depressão. Crescem os diagnósticos de demências…..

Em julho de 2002: sete meses após o “corralito” que bloqueia os depósitos bancários, depois dos panelazos e da entrada da Argentina em seu mais dramático nível de miséria registrado na história recente, recebo em São Paulo, dois chamados de pessoas preocupadas com o diagnóstico de demência dados a sus familiares en Bs As.

Estas duas experiências nos falam de um momento social traumático caracterizado por uma forte recessão econômica que levou à drástica eliminação dos projetos de curto prazo que dependiam das economias da população. Isto, que para os mais jovens, embora represente um grande sofrimento, pode ser um simples adiamento; para os mais velhos, é a constatação de que seu tempo já acabou. O sequestro de toda esperança.

Nas últimas décadas temos assistido a situações traumáticas coletivas provocadas pelo terror econômico, surtos hiperinflacionários, o terror de estado, o desemprego e a precarização do trabalho. Estes determinantes, entre tantos outros, irão configurar um quadro de penúria social de alto impacto subjetivo, no qual o eu, submetido a esta situação, ficaria num estado de desprotecção, que o impossibilitaria de abrir uma dimensão temporal onde a satisfação fosse passível de ser pensada como ganho futuro.

Ante estas catástrofes, todo um sistema de valores baseado no esforço pessoal, no trabalho como forma de se chegar a um futuro melhor, os projetos individuais e as expectativas de transformações sociais baseadas no coletivo parecem desmoronar. Toda a rede simbólica inter e intrasubjetiva que daria apoio nos momentos de desvalidamento e desamparo entra em colapso, se patologiza a experiência humana do sofrimento através de um exagero de diagnósticos de depressão ou neuro-vegetativos e as únicas ações possíveis passam ser as que marcam uma intervenção medicalizante bloqueando a possibilidade de reconhecimento da falta e seu conseqüente trabalho de luto (Fuks, 1994).

Na atual organização social, os idosos se vêm obrigados a abandonar compulsoriamente seus lugares de reconhecimento narcísico e têm dificuldade de ocupar outros, pois o modelo social muda de forma radical e violenta, em um momento da existência em que não há mais tempo disponível para operar uma virada significativa no projeto de vida. Não havendo possibilidades de projetos, não há promessa de futuro, não há mais motivos para lutar.

A pesar da situação dos idosos ter mudado muito nos últimos anos, ainda persiste uma imagem negativa, desinvestida e desvalorizada. Além do que, pelo fato de serem sujeitos próximos do fim da vida, encontram-se numa situação de fragilidade, tanto no que diz respeito à sua saúde, quanto no que se refere ao aspecto social. Podemos notar como são afetados por perigos reais que vão desde o aumento da violência urbana até a ameaça da perda dos direitos adquiridos pela aposentadoria, passando por todo tipo de exclusão. Ameaças que, sem dúvida, provocam efeitos na subjetividade e aumentam os sentimentos relacionados com o desamparo.

No cerne da formulação sobre o desamparo, o que se coloca é a falta de garantias da existência humana que nem a ciência consegue resolver. Haveria, pois, uma fragilidade estrutural do sujeito que se encontraria à mercê da fragilidade da vida, das ameaças da natureza e das difíceis vicissitudes do vínculo com os outros. Talvez ninguém esteja mais consciente de sua finitude, à mercê das dificuldades com a corporeidade, em situação de fragilidade ante as ameaças da natureza (e da cultura) do que o sujeito que envelhece. E, também, ninguém é mais sem esperança; tudo o que foi deixado “para depois” se presentifica de forma urgente e imperiosa, simplesmente porque o depois não existe ou é muito breve. Ante o fim iminente não há apelo possível, o socorro não chega, a morte se enfrenta sempre em solidão.

Quando ao estreitamento do horizonte de futuro soma-se a falta de condições mínimas de habitabilidade do mundo pode acontecer um sofrimento excessivo. Devemos nos perguntar então o que acontece quando o Eu se encontra fixado numa situação onde parece não haver saída possível, a não ser o retorno a uma situação de dependência; que acontece quando não há mais como sustentar um projeto identificatório.

O Eu, só pode garantir sua continuidade em contínua modificação, sendo sempre diferente do que foi e, ao mesmo tempo, sendo sempre o mesmo. Deve aceitar estar sempre em movimento, um movimento que é essencialmente temporal. Transformação que acontece no tempo, é esta a condição de ser do Eu.

Uma das funções do Eu, é a de pensar sua própria temporalidade para o qual, deve dirigir sua carga libidinal a um espaço-tempo futuro. Mas esta dimensão de espaço-tempo futuro, ante determinadas situações, pode se transformar em um objeto terrivelmente assustador, pois além da imprevisibilidade e a falta de garantias que todo ser humano sofre, o excesso de sofrimento, aquele que não pode ser metabolizado, ameaça a sustentação da própria identidade.

O Eu deve poder responder pelo seu futuro e sua identidade, sem essa possibilidade, se dissolve na angústia. Tudo que ameace o Eu, é uma ameaça a sua integridade e como tal, é uma angústia de morte. A continuidade do Eu, depende da conservação de uma esperança na possibilidade de -algum dia- conseguir ser esse ideal que sempre procuramos a pesar da realidade marcar seu contínuo fracasso. A esperança do reencontro com o ideal é o que sustenta o desejo de investimento no futuro. Movimento temporal onde o objetivo projetado, uma vez atingido, demonstrará sua ineficácia como portador de um ideal permanente de felicidade, mas que se tornará origem de um outro projeto sobre o qual recairão todas as esperanças. Ou Seja, estamos ante um movimento temporal de recriação e reconstrução constante que só acaba com a morte como bem diz Piera Aulagnier (1994) ou com a demência como eu me atrevo a agregar.

Na pessoa demenciada, se destrói a linha do tempo que garante continuidade. Esquecendo do presente, dos vínculos atuais, do cotidiano, corta-se o elo entre passado e futuro. Não há como incluir o passado no projeto de futuro, simplesmente porque não há futuro. Para poder se responder sobre “quem sou eu”, é necessário saber “quem foi eu e quem será futuramente”.

Para suportar a angústia da fragilidade da vida e conservar a identidade é necessário conservar alguns pontos de ancoragem, certos referenciais fixos aos que o Eu possa se aferrar na ora que surgir um conflito identificatório que ponha em xeque as referências do modelo.

Quando um modelo não leva em consideração as necessidades básicas de sobrevivência psíquica, se adaptar a ele pode ser extremamente difícil, pode significar uma renuncia excessiva, perde-se um saber sobre a realidade. Assim, mundo físico, mundo psíquico e social deixam de ser coincidentes e passam a se sentir como esferas diferentes e irreconciliáveis. Ante esta situação ameaçadora, não é estranho que alguns sujeitos iniciem um movimento de fuga desses referenciais sentidos como alheios e injustos, especialmente quando deixam de constituir uma garantia para a própria integridade.

Repito. Para se sustentar, o Eu deve –no presente- poder reconsiderar seu passado e se projetar em uma ação modificadora para o futuro, onde os erros possam ser reparados e os acertos reproduzidos, mas especialmente, deve poder realizar uma ação verificadora da realidade que deverá coincidir com suas lembranças…. deve poder confiar em sua memória e na validade do saber acumulado. Ou seja, o Eu, além de estar sempre em um movimento temporal de transformação, exige sempre estabilidade, estes são seus dois grandes princípios: permanência e mudança. Desde seu aparecimento na cena psíquica, deverá pensar seu corpo, sua realidade psíquica e sua realidade exterior. Deverá ter representações confiáveis de tudo aquilo no que deve investir. A muitos investimentos poderá renunciar, outros serão substituídos, mas não poderá renunciar a aqueles que são vitais para sua sobrevivência, não se pode renunciar ao absolutamente necessário.

A fuga do sofrimento jamais será fácil pois significa renunciar a um objeto causa do prazer. A única forma de suportar a dor da renuncia será a espera de que em um tempo futuro, a felicidade perdida possa ser reencontrada, ilusão que conhecemos sob o nome de esperança. E para continuar tendo esperança, deverá haver sempre uma “boa causa”, com sentido para a existência, portanto, ligada ao desejo.

Nos casos de desinvestimento radical, o que encontramos é a expulsão de qualquer objeto que possa ser fonte de prazer. A pulsão de morte ameaça todos os objetos, termina com qualquer tentativa de ligação que possa contribuir à manutenção da atividade psíquica, corta radicalmente o encontro com qualquer objeto que pudesse se constituir como causa do desejo.

Sabemos que a dura realidade da vida é a causa do sofrimento humano. Piera Aulagnier (1990), resume em quatro aspectos as provas de realidade que se impõem ao psiquismo: a realidade de um corpo vulnerável; a ameaça da morte sempre presente, a autonomia do desejo do outro que pode provocar a privação do objeto amado e a realidade social que cobra o alto preço da exclusão daqueles que não aceitam suas normas. Passar por estas provas de realidade pode resultar muito proveitoso para o psiquismo que assim forjará seu critério de realidade, ou seja, há um sofrimento necessário para nos constituirmos como pessoas maturas. O ser humano, confrontado com a dor cria uma dimensão temporal pois abre uma expectativa de futuro, quando a dor acabe e o reencontro com a felicidade seja possível.

Agora bem, quando o sofrimento é excessivo este processo é impossível. Quando digo excessivo, me refiro ao tipo de sofrimento não metabolizável, sobre o qul não é possível fazer nenhum tipo de elaboração, que não permite nenhum aprendizado, que não se transforma em experiência; que deixa no psiquismo um buraco, um vazio, pois é vazio de representação simbólica. Vazio onde não há luto possível, pois não há objeto. Por isso afirmo que podemos entender o fenômeno demencial como o produto da falta de um “trabalho de luto”, uma recusa à aceitação da perda que bloqueia o processo elaborativo. Assim, o que caracteriza o processo é o vazio, onde nenhum objeto pode ser recuperado. Uma impossibilidade de agir, de desejar… e quando o sujeito não deseja perde a possibilidade de fazer projetos, de se lançar ao futuro… perde sua identidade.[8]

Podemos pensar que uma reação possível a este estado de sofrimento excessivo seja a criação de um mecanismo de defesa como a regressão a formas mais primitivas de funcionamento onde, em cada nível de regressão se não se restauram o equilíbrio e a unidade perdidas, a angústia reaparecerá exigindo um maior investimento na proteção provocando uma regressão cada vez mais profunda, podendo chegar até uma completa dissolução do Eu. E a demência é um fiel exemplo desta experiência de dissolução de Eu historicamente constituído.

Se durante o processo de envelhecimento a realidade for cruel demais, o sentimento de desamparo insuportável, ou a finitude impossível de ser elaborada, nos encontraremos ante situações de sofrimento excessivo que favorecerão o processo de desinvestimento e regressão. É importante salientar que este processo de desligamento, se realizará não só sobre os objetos que podem causar dor ou desprazer, mas sobre tos os objetos e sobre o próprio processo de construção psíquica, Não será um simples afastamento da dor, mas um corte radical de todo e qualquer vínculo ou ligação possível, uma verdadeira “descontrução” psíquica uma espécie de tolerância zero para o sofrimento. Desta maneira, qualquer sentimento, qualquer ligação, qualquer vínculo será excessivo. A pessoa deixará de pensar, não poderá criar um saber sobre sua experiência, nem poderá regristá-lo em sua memória, renunciará à construção de sua história. A perda de memória, qualquer que seja a causa, provoca a perda de fragmentos consideráveis da identidade. Na demência, a função historizadora da memória é cancelada e, este processo determina o abandono de qualquer movimento de mudança e historização.

A demência é o lugar onde o sujeito psíquico historicamente constituído se perde. Antes da fase terminal, e em gestos repetidos incansavelmente podemos encontrar uma linha de união com a história do sujeito: como a costureira que agora se dedica a decosturar tudo que encontra na sua frente, ou o pintor que descasca incansavelmente a pintura de portas e paredes. Deconstrução de uma história na repetição de gestos dos quais, o sujeito que os protagonizou, agora está ausente.

O corpo de um idoso demenciado –considerando as fases mais avançadas da doença- é um corpo sem sujeito, não parece estar atravessado por nenhum registro simbólico, por nada do aprendido durante a vida, volta ao padrão simbólico da infância, perde o controle esfinteriano, se masturba, tira a roupa, tudo sem constrangimento, sem vergonha. As vezes conserva um mínimo de pudor, mas, em geral, só percebemos o prazer da higiene e o incômodo da sujeira.

Podemos coincidir com a idéia de que a pessoa demenciada perde suas capacidades cognitivas por causa de um quadro neurológico que afeta a memória. Mas, podemos pensar também que o psiquismo humano, em sua extraordinária potencialidade, abandona a condição de sujeito psíquico por um excesso de sofrimento que lhe resulta insuportável.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

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(*) Delia Catullo Goldfarb

Psicanalista e Especialista em Gerontologia. Doutora em Psicologia (IP-USP). Pesquisadora do NEPE-PUC-SP. Coordenadora e professora do curso de Psicogerontologia do COGEAE-PUC-SP. Assessora em políticas Públicas. Autora de “Corpo, tempo e envelhecimento” (1998) e “Demências” (2004) Ed. Casa do Psicólogo.

Directora da GER-AÇÕES.

[1] Estas reflexões foram baseadas na Tese de Doutorado “Do tempo da memória ao esquecimento da história: um estudo psicanalítico das demências” sob orientação da Profa Dra Ana M Loffredo, na Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humanos do IP-USP -2004 (bolsa CNPq) e no livro “Demências” , Coleção Clínica Psicanalítica, da mesma autora e publicado pela Ed. Casa do Psicólogo, SP, 2004.

[2] Uma bibliografia completa sobre este tema pode ser encontrada no livro “Demências” ,da mesma autora e publicado pela Casa do Psicólogo em 2004.

[3] Refere-se aos afetados pela “idiocia”, tal como era conhecida na época a “deficiência mental congênita”

[4] Não deixa de ser instigante o fato de que ante a probabilidade de uma origem psicológica algo seja qualificado como pseudo , com toda a carga de preconceito que isso acarreta

[5] Só a título de exemplo citarei duas: “me dá esse negócio aí que serve para beber” para pedir um copo, ou “pega para mim isso do cabelo” para pedir um pente.

[6] Os testes mais usados na atualidade são: o CAMDEX (1986), organizado como uma entrevista estruturada com o objetivo de diagnosticar e quantificar a demência, e o MEEM (1975) Mini Exame de Estado Mental, que avalia outras funções além da memória. Existe também o ENEDAM, utilizado para diagnóstico de demências em estado inicial, e várias escalas de avaliação clínica para confirmação do diagnóstico.

[7] Publicada em jornal médico (EEUU-1997) e citada por André Chévance. Um breve artigo que comentava os resultados, foi publicado no caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo em 24 de maio de 2001.

[8] Ver depressão por vazio (Birman 2001)

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