TRABALHO VOLUNTÁRIO COMO PROMOÇÃO DE INTEGRAÇÃO SOCIAL DO IDOSO – Maria Cristina Dal Rio

TRABALHO VOLUNTÁRIO COMO PROMOÇÃO DE INTEGRAÇÃO SOCIAL DO IDOSO

MARIA CRISTINA DAL RIO

1º PRÊMIO BANCO REAL TALENTOS DA MATURIDADE, CATEGORIA MONOGRAFIA, DEZ/2001.

 

 

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ………………………………………………………………02

1.Aposentadoria, Velhice, Trabalho Voluntário ……………………………….04

 

  1. O exercício do Trabalho Voluntário ………………………………………………………..16

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS ………………………………………………………………….27

 

 

 

BIBLIOGRAFIA ……………………………………………………………………………………29

 


1.   INTRODUÇÃO

 

Nossa sociedade urbano-industrial impõe um isolamento social às pessoas que envelhecem e não participam diretamente do processo produtivo. As relações sociais que estas pessoas estabeleceram ao longo da vida se enfraquecem ou, então, se interrompem. O trabalhador aposentado perde o círculo de amizades feito a partir das relações do trabalho; as mulheres vêem diminuídas suas obrigações domésticas e para com os filhos à medida que estes conquistam sua independência (Ferrigno, 1998).

Algumas transformações têm ocorrido e muitas pessoas rompem com estereótipos que as relegam ao ostracismo ou lhes atribuem limitações que realmente não têm. Assim, tornam-se socialmente ativas. No entender de Lopes (1990), são aquelas pessoas que, de alguma forma, estão envolvidas com atividades de enriquecimento pessoal, de convivência, de produtividade. Exercem atividades remuneradas, participam de teatro amador, realizam atividades de lazer, esportivas ou freqüentam grupos de convivência, mantendo-se socialmente ativas e encontrando, com prazer, um sentido para a vida.

Observo que muitos participantes de grupos de reflexão sobre o envelhecimento, grupos de convivência e de Escolas Abertas para a Terceira Idade com os quais venho trabalhando, não sucumbem à imposição de afastamento que a sociedade lhes impõe, talvez porque busquem formas de se manter inseridos no mundo, retornando ao trabalho voluntário ou remunerado, participando de trabalhos sociais, educativos, de lazer, de atividades políticas, sindicais e em associações de classe etc.

Dentre esses grupos, os aposentados em geral e, mais especialmente, os aposentados que realizam atividades como voluntários, buscando, talvez, formas alternativas de inserção social, chamam minha atenção, constituindo-se em sujeitos de meus estudos. Para estudá-los, efetuei uma pesquisa, no curso de Pós-Graduação em Gerontologia, buscando conhecer as razões centrais que os levam a se manterem ativos por intermédio do trabalho voluntário. Por conseguinte, defini como objetivos: caracterizar os sujeitos da amostra, isto é, pessoas que se aposentaram, que estão envelhecendo e, desenvolvendo trabalho voluntário; compreender as razões que os levaram a este trabalho; bem como o significado deste para os pesquisados, a família e a sociedade.

A metodologia qualitativa foi utilizada como estratégia para caracterização e análise dos dados colhidos por meio de depoimentos, que abordaram vários aspectos da vida dos depoentes. De acordo com Queiroz (1998:275), em ciências sociais, depoimento significa o relato de algo que o informante efetivamente presenciou, experimentou ou de alguma forma conheceu, podendo assim, certificar.

O grupo pesquisado foi composto por oito aposentados envolvidos com trabalho solidário que freqüentam instituições com as quais tenho uma relação profissional ou voluntária no campo da Gerontologia.

Este interesse advém da minha significativa e frutífera experiência profissional no desenvolvimento de programas sociais com pré-aposentados, aposentados e indivíduos de outras categorias que estão envelhecendo de forma participativa. Além de ter-me tornado, uma aposentada que optou por estudar a nova categoria à qual pertence – a aposentadoria- e compreender melhor o processo de envelhecimento.

 

1 – APOSENTADORIA, VELHICE, TRABALHO VOLUNTÁRIO

 

O tema desta monografia, voluntariado como uma das possibilidades de inserção social do idoso no tempo do pós-trabalho, indicam a necessidade de uma abordagem teórica das categorias que constituem seus eixos norteadores: velhice, aposentadoria e trabalho voluntário e suas respectivas conexões.

A velhice, como um fato natural, é um fenômeno biológico que ocorre a todos os seres humanos. O organismo do idoso entra em declínio quando se reduzem suas capacidades de subsistir. Citando Beauvoir (1990:32): O envelhecimento, e depois a morte, sobrevêm quando um determinado programa de crescimento e de maturação chegou ao seu termo.

A morte ocorre em qualquer fase do curso da existência, mas mais freqüentemente ela sucede à velhice, e, muito freqüentemente, ela vem associada a uma ou mais patologias, muitas vezes, sem comprometer a capacidade funcional.

Contudo, como refere Debert (1994) ao pensarmos na velhice, não podemos considerá-la apenas como fenômeno biológico natural e universal, mas também como fato social e histórico, que corresponde à variabilidade de formas em que é concebida e vivida em diferentes realidades. A identidade do velho define-se em parte como fenômeno biológico, mas não é suficiente para explicar uma totalidade: comportamentos, pensamentos e atitudes da pessoa idosa. Acompanhando o pensamento de Beauvoir (1990: 15):

A velhice, como todas as situações humanas, tem uma dimensão existencial: modifica a relação do indivíduo com o tempo e, portanto, sua relação com o mundo e com sua própria história. Por outro lado, o homem nunca vive em estado natural: na sua velhice, como em qualquer idade, um estatuto lhe é imposto pela sociedade a qual pertence.

 

A velhice tem que ser compreendida em sua totalidade, tanto como fato biológico como cultural. Na dimensão cultural está implícita a idéia de que os fatos se modificam e têm que ser apreendidos em sua constante dinâmica. Ser velho, portanto, é um fenômeno que se altera no tempo e no espaço.

A pesquisa histórica e a antropologia têm estudado a velhice e seu significado em todas as épocas e culturas. Os resultados têm demonstrado que tanto ela como as demais fases da vida não são conseqüências de uma evolução científica marcada por formas cada vez mais precisas no desenvolvimento biológico e, sim, categorias socialmente produzidas, que envolvem luta política, na qual está em jogo a definição de poderes ligados a grupos sociais distintos.

Essas categorias, entretanto, têm importância na organização do sistema social, político e econômico, com ênfase especial no mercado de trabalho e na definição da aposentadoria.

Nesta monografia, aborda-se a velhice com ênfase na questão da aposentadoria, temas que estão intimamente relacionados na sociedade ocidental, pois associaram-se ao conjunto de transformações do desenvolvimento capitalista e levaram à criação de uma diversidade de instituições que tenderam e tendem a substituir a família no cuidado às gerações mais velhas.

Resenha bibliográfica de Debert e Simões (1994) sobre terceira idade e aposentadoria aponta que esta passou a fazer parte da preocupação das sociedades americanas e francesas, quando a primeira geração de trabalhadores envelheceu. A velhice passou a ser associada à invalidez e à incapacidade de produzir e o problema era quem deveria arcar com o velho, se a empresa ou a família, que até então cuidava dele. A aposentadoria configurou-se, então, como sistema de proteção aos trabalhadores idosos.

Foi somente no final do século XIX que o tema aposentadoria entrou, efetivamente, na pauta das reivindicações operárias. Até então, os debates no parlamento sobre sistema de aposentadoria não encontravam ressonância na classe operária, apesar dos velhos estarem vivendo em condições miseráveis, a cargo da família ou de instituições assistenciais.

Morrisson (apud Debert & Simões, 1994) descreve que muitos estereótipos negativos acerca da capacidade dos trabalhadores mais velhos desenvolveram-se no rápido processo de industrialização e absorção de mão-de-obra que ocorreu nos Estados Unidos entre 1920-40, antes da aposentadoria se converter em instituição legítima. Esses estereótipos estavam associados à complexificação dos organismos industriais, à adoção de técnicas científicas de administração, que enfatizam a velocidade, e a concepção de que a capacidade do trabalhador declinava com o tempo até se esvair, destituindo do velho a possibilidade de produzir.

Desde o século XIX, a moral do trabalho passou a valorizar aqueles que se encontravam no auge de sua força física, excluindo, portanto, crianças e idosos. Romanticamente, aos velhos destinava-se o ócio, como recompensa. Revestia-se o mais velho de uma falsa nobreza, tirando-lhe, porém, função social e colocando-o à margem do universo do trabalho e da sociedade. As atitudes discriminatórias em relação aos trabalhadores mais velhos desempenharam papel importante no desenvolvimento posterior de políticas de aposentadorias (Secco, 1994).

Assim, em partes do chamado primeiro mundo, nas décadas de 1920 a 1940, houve a generalização dos sistemas de aposentadoria. A partir de 1960, aumentaram na França e nos EUA, os fundos manipulados pelos especialistas em velhice, o número de aposentados e a ajuda social à velhice.

Desta maneira, a ampliação trabalho assalariado para as classes médias aumenta a aposentadoria para outros setores sociais e profissionais, não se tratando mais de assegurar a velhice dos pobres. Sindicatos e associações assumem papel ativo na luta por melhores condições de aposentadoria. Passa a existir a formação de instituições e agentes com a função específica de tratar a velhice e que se interpuseram entre as gerações da família. Surgiram especialistas em geriatria e gerontologia e foram definidos campos de atuação que requeriam saber especializado.

Mudaram também concepções sobre o envelhecimento e políticas específicas voltadas para aposentadoria: não só resolver problemas econômicos, mas proporcionar cuidados culturais, psicológicos para integrar socialmente uma população tida como marginalizada. Estas novas representações não são só obra de especialistas em velhice, mas também correspondem à demanda por novas formas de gestão da velhice, que resultaram de transformações nas relações entre gerações. Estão ligadas às mudanças no modo de produção social e na posição do grupo doméstico no interior dos mecanismos de reprodução. A inversão nas relações entre gerações no interior da família afetou de maneira distinta os idosos, conforme a classe social.

É preciso, portanto, perceber que processos mais gerais, num primeiro momento, fizeram da aposentadoria, por meio de sua associação com a velhice, um dos sinais mais visíveis da entrada na última etapa da vida e, num segundo momento, desvincularam-na do fim da vida, identificando-a como terceira idade, período privilegiado de lazer e novos aprendizados.

Além desses processos reais de transformações ocorridas acerca do envelhecimento e nas relações entre gerações, é necessário salientar que o aumento da expectativa de vida para os indivíduos e o conseqüente aumento do segmento idoso no conjunto da população, alterou o perfil demográfico das nações, entre elas o Brasil, e trouxe necessidade de estudos que definam políticas públicas para este segmento.

Nosso país, capitalista em fase de desenvolvimento, apresenta sérios desequilíbrios sociais, pois nele coexistem regiões com características semelhantes às dos países desenvolvidos, e outras, cujas

 

 

características são próprias dos países subdesenvolvidos[1].

A sociedade, em geral, inclusive o segmento idoso, sofrem com as conseqüências dessa desordenada estrutura sócio-econômica, seja no meio urbano seja no rural.

Ensaio de Magalhães (1987) tece considerações sobre essas duas realidades, tentando situar o envelhecimento na realidade brasileira. Segundo ele, os trabalhadores do meio rural, do qual não se conhecem precisamente as dimensões, abriga uma velhice excluída do desenvolvimento, hipodotada e biologicamente acelerada pelas características adversas da vida rural e pelos baixos salários.

No meio urbano, encontramos uma população marginal produzida por um modelo econômico que absorve mão-de-obra qualificada, que incorpora cada vez mais tecnologia avançada, ignorando contingentes migratórios formados por populações desqualificadas e migrantes, que buscam sua absorção nos grandes centros urbanos metropolitanos. Nessa população existe uma velhice urbana, em aguda carência material, o que favorece o abandono, a delinqüência e a demência senis.

Quando as condições sócio-econômicas das populações de baixa renda e renda eventual possibilitam mínimos de regularidade e continuidade de vida social, formam-se agrupamentos sociais com grupos de trabalho, vida religiosa, familiar, grupos de vizinhança e lazer, relativamente estáveis.

Neste contexto, floresceu uma classe operária brasileira que, ao envelhecer, deparou-se com a perda da capacidade laborativa e com a impossibilidade de aumentar sua renda e seu patrimônio, dando início às lutas pela aposentadoria e por outros benefícios sociais à velhice.

Essas lutas identificaram o idoso com o velho trabalhador sem condições laborativas, carente, portanto, da proteção do Estado. Quando esta classe transforma a questão privada da velhice em questão pública, sob a responsabilidade das instituições oficiais, baliza o surgimento da questão social do idoso, redundando no advento do sistema previdenciário brasileiro e do benefício da aposentadoria, extensivo à grande maioria dos trabalhadores.

Alguns poucos indivíduos, entretanto, das elites detentoras de prestígio, poder e riqueza conseguem manter condições que favorecem a sociabilidade, a autonomia e o apoio para a realização de tarefas necessárias à sobrevivência.

Coexistem, então, na sociedade brasileira, uma velhice hipodotada, subdesenvolvida, precocemente envelhecida, oriunda das camadas populares marginais do campo e da cidade, que equivale à dos países subdesenvolvidos, com uma velhice bem dotada, localizada no âmbito das elites e que tem condições equivalentes à dos países desenvolvidos.

Como vimos, a concepção do trabalho, enquanto princípio ordenador da vida social, é produto do mundo moderno. Assim, o aposentado, quando se afasta do mundo produtivo, afasta-se também do espaço público, ficando com a sociabilidade enfraquecida, pois, freqüentemente, ela foi construída, sobretudo, a partir das relações de trabalho. Este corte, feito, geralmente, de forma abrupta, sem nenhuma preparação prévia, faz com que a pessoa se volte para o espaço privado, reproduzindo as condições de isolamento, de invisibilidade e de alienação (Arendt, 1989).

A aposentadoria, ao privatizar as relações sociais e dificultar a inserção no espaço público, faz com quem o velho deixe de aparecer “no mundo” e fique esquecido das mediações das políticas públicas. Entretanto, como já visto, o número de velhos e aposentados se torna cada vez maior, até mesmo pelas transformações demográficas que apontam um grande aumento do segmento idoso no conjunto da população, o que lhe dá visibilidade. Essa visibilidade, contudo, não se dá, ainda, pela ação e pelo discurso desse segmento – cujos movimentos começam a despontar no espaço público -, mas pelas conseqüências sociais advindas da fragilização em saúde física e financeira dessas pessoas.

Se é no espaço público -o espaço de pensar conjuntamente- que se forma opinião, se o aposentado não aparece nele ou se é referido com imagem distorcida, não se elabora um pensamento correto sobre ele. Esquece-se o que ele construiu e que a sociedade vive sobre bases que ele alicerçou.

Assim, ele passa a viver por si e mais voltado para a esfera privada, isolando-se da sociedade, onde já não tem importância e nem é valorizado, pois não integra mais o mundo produtivo, permitindo que as raízes de seus problemas e de suas necessidades sejam afastadas da esfera pública. Em decorrência, passa a não ter visibilidade, fica com a sociabilidade restrita, nunca é visto e pensado como ser e categoria singular, parte integrante da sociedade. Nesse sentido, as ações e os pensamentos públicos dificilmente irão reconhecer seus direitos (Arendt, 1989).

Quando o aposentado passa a buscar uma (re)integração, uma forma de (re)inserir-se na sociedade, por meio da participação em movimentos, desenvolvendo qualquer tipo de atividade, provavelmente estará negando o isolamento que lhe é imposto e recolocando-se no espaço público para manter-se socialmente ativo, para buscar a companhia dos iguais na tentativa de viver junto, de revelar quem é.

O trabalho voluntário[2], que está sendo exercido de forma cada vez mais expressiva em nosso meio, apresenta-se como uma das possibilidades de inclusão pelo, cada vez mais numeroso, segmento idoso da população e onde se incluem os aposentados (Arruda, 2000). Este tipo de trabalho, numa perspectiva individual, possibilita aos aposentados recriar o presente, efetivando um projeto de vida no pós-trabalho e na velhice, que introduz variações no cotidiano que oportunizam transformações. Por outro lado, numa perspectiva mais abrangente, isto é, enquanto movimento sócia, estabelece uma nova relação de força na sociedade, estimulando a cidadania e a reinserção deste grupo no espaço público, criando condições para que o envelhecimento não seja negado, mas seja, simplesmente, um dos inúmeros momentos do curso da existência, quando convivem, “humanisticamente”, força e fragilidade.

 

O movimento dos aposentados para uma reinserção no espaço público, mantendo-se voluntariamente ativos por meio de uma ação solidária, talvez, possa ser entendido como parte de um processo de mudança sobre a cultura da velhice que há alguns anos se instalou na Brasil. Segundo Birman (1995), o progressivo aumento da população mais velha, além da culpabilidade por séculos de desprezo, passam a exigir da sociedade novas modalidades de preocupações e interesses e aumentam a responsabilidade sobre este segmento da população. É possível que a velhice acabe por receber um ‘reconhecimento simbólico’ referente ao seu lugar social que foi não lhe foi atribuído nos últimos 2000 anos. (38).

 

2 – O EXERCÍCIO DO TRABALHO VOLUNTÁRIO

 

Abordaremos o tema central desta monografia, ouvindo os depoentes e apresentando o resultado do estudo de oito casos, conforme já mencionado, com a finalidade de conhecer as razões que os levaram a se manter socialmente ativos por meio do trabalho voluntário e apreender o resultado dessa ação para o desenvolvimento pessoal e para a integração social.

O grupo pesquisado compõe-se de cinco mulheres e três homens, sendo a maioria natural do Estado de São Paulo; apenas uma é estrangeira. A maior parte reside na Capital e um no interior. Os casados e separados apresentam maior e igual representatividade (3), existindo pequena incidência de solteiros e viúvos. Dois é o número médio de filhos. A representatividade entre as idades de 45 a 75 anos é equilibrada, havendo uma maior concentração na faixa de 71 a 75 anos (3). Predominam os católicos (6) e os engajados em alguma atividade religiosa (5). A maioria tem curso superior completo (4) ou incompleto (1) e o restante, segundo grau completo. A renda, tanto pessoal como familiar, varia entre R$450,00 e R$10.000,00, o que possibilita independência financeira para a maioria. Apenas três mulheres dependem dos filhos. Todos possuem casa própria.

A ocupação durante a vida de trabalho manteve uma relação direta com a formação profissional, tendo grande parte deles (7) trabalhado na condição de empregado.

Por conseguinte, este perfil dos entrevistados permite analisar que estamos diante de pessoas com um bom grau de informação/formação, constituindo famílias estáveis, vivendo (a maioria) com uma renda mensal que lhes permite estabilidade material, enfronhadas em convívio público que extrapola o mero âmbito do trabalho formal, até mesmo pelo voluntariado a que se dedicam, e cuja longevidade não tem sido sinal daquele envelhecimento estereotipado que estamos acostumados a verificar em certas ideologias, inclusive, na mídia.

O tempo do pós-trabalho, caracterizado pelos depoentes como uma nova etapa, passou a ser dedicado, em parte, às atividades comunitárias, voltadas para ajudar o próximo. Parece-nos que essa decisão é tomada para atender a valores religiosos, a necessidades pessoais de crescimento e para dar continuidade ao trabalho interrompido, às vezes cronologicamente precoce, com a aposentadoria. Há aqueles que denotam uma forma de retribuir o que receberam, passarem adiante o seu legado profissional ou mesmo exercerem a cidadania.

A escolha por um determinado tipo de trabalho solidário, por eles, consistiu em um ato espontâneo pela vontade de contribuir para um mundo melhor e, para a maioria, não foi uma atividade nova, pois que o exerceram em momentos anteriores de suas vidas.

 

  • Comecei a fazer o trabalho lá [creche] como coordenadora pedagógica. E eu tive oportunidade de fazer [como assistente social] um treinamento para trabalhar na Santa Casa, como voluntária, na área da saúde (…) com criança, que minha identificação com criança é muito grande. (Eloísa, 51 anos)
  • Trabalho voluntário é a aplicação de todas as novidades que eu tenho encontrado no exercício da profissão de advogado e toda consciência da conveniência de levar a quem precisa, que me procura. (Jonas, 74 anos)
  • É o Amor Exigente, sim. Olha, eu comecei como ouvinte, agora eu sou coordenadora. (Dolores, 66 anos)
  • Então foi me proposto ser uma das pessoas fundadoras do Banco de Olhos de Mogi das Cruzes. (Roberto, 55anos)
  • Aí eu entrei no Grande Conselho [Conselho Municipal de Idosos]. (Zaira, 75 anos)
  • Nós fazemos sopa para gestantes [no centro espírita]. (Helena, 45 anos)
  • E sempre tive um serviço [voluntário] na igreja [católica], sempre mais religião? (Emiliana, 75 anos)
  • Primeiro contato que eu tive com a associação [de aposentados] foi um trabalho específico sobre planos de suplementação de aposentadoria. (Fagundes, 57 anos)

 

Assim, as principais razões que mobilizaram o grupo estudado ao voluntariado foram descritas como retribuição pelo que se recebeu, partilha da experiência acumulada durante a vida, retribuição pelo apoio recebido de entidade de ajuda mútua, sendo essas razões freqüentemente ancoradas em valores religiosos que incentivam o trabalho e o amor ao próximo.

 

  • Acho que foi consciência cristã, de fazer aquilo que sabe, aquilo que gosta e lembrar que isto deve ser distribuído para aquelas pessoas que precisam. (…) É uma espécie assim de semear (…) aquilo que eu sei, aquilo que eu descubro, que verifico que é vantagem etc., se eu não passar para ninguém, se um dia eu morrer, vai ser enterrado. (Jonas)
  • Olha, isso me dá muito prazer. Eu, agora, ultimamente, ainda ando cansada, meio dolorida, mas eu continuo fazendo mais por motivo de fé agora. Eu acho que eu tinha que me doar, vale a pena, que Deus me abençoou muito, que ele me deu muito na vida e eu posso dar. (Emiliana)
  • Porque eu acho que eu recebi uma ajuda muito grande de lá [Amor Exigente]. Eu consegui, porque eu não, não entendia que meu marido era alcoólatra (…) Então, eu acho que como eles me ajudaram, eu tenho a obrigação de ajudar, também, (…) (Dolores)

 

Outra razão identificada nos depoimentos diz respeito a alguma forma de “obrigação”, “compromisso” que pudesse preencher o vazio trazido pela aposentadoria, que, para alguns ocorreu prematuramente.

 

  • A razão principal para ser sincero, a razão principal foi achar algo que tivesse alguma, alguma obrigação, não tão grande. [ri] Eu achava que ia ser uma coisa muito mais simples. (Fagundes)
  • Você se aposenta, você olha, estou totalmente realizada e satisfeita com tudo aquilo que eu fiz e eu não me senti assim, foi interrompido. E pedi, [a aposentadoria] [ri], porém, não me satisfiz, não era bem aquilo. Então, somente agora, voltando a fazer esse trabalho é que estou conseguindo preencher realmente aquilo que (…) interrompi, numa determinada etapa da minha vida. (Eloísa)

 

Há, também, a expressão de sentimentos e atitudes de altruísmo em relação aos mais carentes como razão apontada para a prática do voluntariado que, muitas vezes, é vista como uma forma de reversão em benefício próprio.

 

  • Então, o meu principal objetivo é quando a gente vê que está fazendo um trabalho em prol dos nossos irmãos, em prol das outras pessoas mais necessitadas. (Roberto)
  • Eu sempre tive vontade de fazer alguma coisa em doação pra alguém. Eu não sei se foi o modo de criação ou mesmo do meu interior e eu sonhava que um dia aposentada, eu iria fazer alguma coisa pra alguém. Que eu acho que todo mundo deveria fazer, porque no final não é o outro que está ganhando, é você mesmo. (Helena)

 

Uma ação voluntária está ligada à solidariedade, que na natureza humana é a capacidade de agir em benefício do outro, mas, mesmo sem se dar conta, o voluntário espera usufruir algo em troca. Ser solidariamente ativo abre a possibilidade de continuar o processo de realização e aperfeiçoamento enquanto ser humano, preocupado consigo e com o próximo. Propicia, ao mesmo tempo, uma inserção na comunidade e no mundo, vencendo o individualismo e o isolamento, fatores muito presentes no pós-trabalho e na velhice. Evitá-los, também, deve ter sido uma das causas da busca de outra atividade, que compensasse, inclusive, a perda de prestígio decorrente da saída do mundo produtivo.

 

  • Eu acho assim, eu acho, muito bom pra mim e pras pessoas. Eu estou fazendo alguma coisa prá ajudá-los, apesar que, muita gente acha que não é nada. (Zaira)
  • Aquela vaidade que cada um tem de imaginar que está se auto-realizando. Quantas vezes, com esse trabalho a gente descobre coisas que nunca tinha percebido na vida profissional? (Jonas)
  • Porque ele me satisfaz plenamente, sabe? Saber que eu posso contribuir, (…) Eu cresço, também, muito, espiritualmente, emocionalmente, em todos os sentidos, porque, por exemplo, convivendo com pessoas doentes, você passa a dar valor na vida, coisa que antes, você não dava, não é? (Eloisa)
  • Isso eu faço com prazer, já tem praticamente de dois a três anos que eu estou nessa atividade. Então, há um crescimento, muita gente acha que fazer, dar alguma coisa pra alguém, você realmente só está dando. Não, você ganha muito mais. Seu pensamento não fica preso em coisas pequenas, quando você está ocupada trabalhando, sabe, é diferente de uma coisinha quadradinha. Fica tudo mais amplo, você fica aberta. (Helena)
  • Olha, significa um prazer muito grande e mais do que isso não posso te dizer. (Emiliana)
  • Eu me realizo bastante, porque não só em função disso que eu estou fazendo, a realização não só pessoal que eu faço não só de coração, como também, percebo que não só aquelas pessoas que eu sirvo, que são aquelas pessoas deficientes, como também toda uma comunidade reconhece o trabalho que é feito. (Roberto)

 

A aposentadoria pressupõe, em tese, um retorno ao espaço privado, a uma maior aproximação com a vida em família. Muitos deixam de cultivar outros interesses além dos familiares, ficando com as demais relações enfraquecidas, o que contribui para a invisibilidade e o isolamento sociais. O grupo estudado, ao se engajar no voluntariado, se recusou a viver apenas em função das relações familiares, inserindo-se no espaço mais amplo, no espaço público.

A reação mais comum dos familiares a esta opção foi de compreensão e apoio, provavelmente, por reconhecerem que pessoas tão dinâmicas pudessem se desadaptar com a inatividade e que a realização de projetos é muito importante para a manutenção da qualidade de vida pessoal e familiar.

 

  • Olha, eles já têm uma vida, agora que eu parei de vender os livros tudo, que a minha filha se formou, logo começou a trabalhar. Não tive mais preocupação. O meu filho também já estava trabalhando. (Emiliana)
  • Ah, eles gostam! Porque assim eu não fico só em casa. Eu saio, faço as coisas, caminho. Tenho que caminhar, ainda por causa do problema do joelho. (Zaira)
  • Olha, eu ainda gostaria de realizar, isso já faz parte, até a Nilda [esposa], ela me fala [apoiando] às vezes, o meu sonho, (…), um dos projetos que eu tenho em mente é fazer um Centro Oftalmológico aqui na cidade. (Roberto)
  • Uma coisa boa que me acontece [no trabalho voluntário], que eu achei que foi uma coisa boa para mim, eu quero repartir com meus (…). Então, para minha esposa, para o meu filho, eu conto e conto com orgulho, conto com orgulho mesmo. (Fagundes)
  • Eu acho ótimo, porque nós fizemos um grupo muito bom. A gente tem uma amizade grande, é como uma família, os coordenadores é como uma família. (…) (Dolores)

 

O grupo conseguiu contextualizar, socialmente, o trabalho voluntário. Reconhece que sempre existiu, mas que, ultimamente, vem recebendo uma atenção diferenciada tanto da parte do Governo quanto da sociedade civil, o que tem ampliado a cultura da solidariedade entre nós e que agora procura enfatizar uma ação mais vinculada à solidariedade, procurando estabelecer uma relação baseada em direitos.

Alguns atribuem ao trabalho voluntário um papel complementar às políticas sociais do Governo, julgando este incapaz de cobrir as necessidades básicas da população e transferindo aos cidadãos e às entidades sociais o dever de colaborar.

 

  • Olha, eu acho que a sociedade já está se conscientizando que o trabalho voluntário, ele traz duas coisas. Primeiro lugar, o beneficio da pessoa que recebe o resultado do trabalho voluntário e, também, a necessidade de que esse trabalho venha complementar aquilo que no passado o mundo esperava do poder público. (Jonas)
  • Porque se tem pessoas com dificuldade ou doentes, o governo não tem tanto dinheiro para ajudar todo mundo; então, a gente tem que estar disposto a fazer alguma coisa, não? (Dolores)
  • Sobre o voluntariado e essas entidades que existe hoje prestadora de serviço filantrópico, se hoje acabar aqui (…) essas entidades, Mogi das Cruzes vai ao caos. Não tem estrutura pra manter pra manter isso tudo que é feito através de pessoas, de um serviço voluntário. (Roberto)

 

A valorização da ação voluntária e solidária foi identificada como positiva. Um deles ressaltou, entretanto, esta valorização como um possível modismo, que impele as pessoas a praticá-la simplesmente em função de apelo do momento, sem que haja uma opção consciente. E outro, apontou a necessidade da compreensão do propósito deste tipo da ação, tanto por quem a pratica, quanto por quem a recebe, para que possa ser eficaz, evidenciando, inclusive, uma consciência social.

 

  • Está tendo uma campanha pro trabalho voluntário. Eu acho isso maravilhoso, se todo mundo fizesse alguma coisa o mundo seria muito melhor. O que existe de egoísmo, um egoísmo muito grande das pessoas. (Emiliana)
  • Eu acho que é uma coisa que todo mundo acha, hoje, que vale a pena fazer, que está se divulgando muito, mas está me parecendo mais um modismo do que outra coisa qualquer. Um modismo bom, (…) está parecendo que é quase obrigação das pessoas fazer algo por alguém, sabe. (Fagundes)
  • É uma coisa, assim difícil, porque a gente tem que analisar daquele que recebe o voluntário e daquele que se oferece para trabalhar. Aquele que se oferece para trabalhar como voluntário tem uma disponibilidade e ele, às vezes, abraça uma causa, muitas vezes, sem saber o que ele está abraçando. (Eloisa)
  • Existe um lado forte na nossa cidade da violência, mas está existindo um outro lado, as pessoas estão se colocando mais. E no meu conceito [se] cada um não der um pouquinho não vai ter como melhorar não. (Helena)

 

Este grupo revelou ser composto por pessoas que têm valores sedimentados na solidariedade, muito freqüentemente, na religiosidade e os traduzem em uma atitude pró-ativa frente às questões sociais, apenas acentuadas com o tempo liberado do pós-trabalho. Esta postura, com certeza, sustenta as razões para o envolvimento com o trabalho solidário, objeto da pesquisa: retribuição pelo que se lutou e recebeu, partilha da experiência acumulada de vida, retribuição pela ajuda e apoio para a compreensão de dificuldades pessoais e familiares. Outras se relacionam ao preenchimento do vazio trazido pela aposentadoria e ao empreendimento de ações altruístas que revertem em benefício próprio. Em contrapartida, depreende-se que, o exercício da voluntariedade, tal como o do trabalho remunerado, significa fonte de prazer, realização e projeção pessoais.

As relações e obrigações familiares não deixam de ter importância e primazia para os entrevistados. É com a família, que compreende e incentiva as ações solidárias, que todos dividem as satisfações delas advindas.

O atual incentivo e valorização, pela sociedade e Governo, à ação voluntária foi apreendido de forma positiva pelos pesquisados que, percebem nela pessoas conscientes e pró-ativas em relação aos problemas da sociedade. Atribuem-lhe, entretanto, papel suplementar às políticas sociais do Governo, que não fica desobrigado de suprir as necessidades básicas dos cidadãos.

Assim, no meu entender, o trabalho realizado pelos investigados para o outro tem uma relação intrínseca com o trabalho realizado para si mesmo na medida que colabora para dar sentido à própria existência. É preservando-se entre os espaços públicos e privados que continuam seu processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento enquanto seres humanos.

Os depoimentos coletados mostram, enfim, que os pesquisados estão contribuindo para forjar uma nova imagem da velhice, libertando-a de estereótipos que identificam este período com o passado, inatividade e dependência para uma época de participação, possibilidades e realizações partilhadas com a família e com o outro, para os quais têm-se dedicado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Todo o esforço de uma aproximação às questões que envolvem o envelhecimento, a aposentadoria e o trabalho voluntário representa, sem dúvida, um ganho pessoal, pois me encontro, também, em processo de envelhecimento, aposentada e envolvida com a prática da voluntariedade, procurando delinear caminhos para o presente e o futuro.

O trabalho voluntário, sem dúvida, contribui para que se desqualifiquem quaisquer estereótipos e preconceitos subjacentes às condições de aposentado e velho, ajudando a desenhar uma das possíveis formas de viver o pós-trabalho e a velhice, dando-lhes significado. É, também, uma fonte de realimentação do desenvolvimento e realização pessoais, além de propiciar a continuidade da inserção nos espaços públicos e privados.

Nessa perspectiva, o resultado da análise da pesquisa parece sugerir, como conclusão principal, que as pessoas que construíram a vida apoiada em várias fontes de reconhecimento e valorização podem encontrar mais facilidade para reestruturá-la, pois têm diferentes interesses que lhes fazem sentido. Assim, indivíduos voluntariamente ativos não emergem no momento da aposentadoria e da velhice. Eles foram se construindo ao longo de toda sua história. Ousaria dizer, que eles já têm um passado de ser e estar no mundo que se confirma no presente pela maior disponibilidade de tempo. Assim, o tempo do pós-trabalho e da velhice apenas acentua o altruísmo e a dimensão do trabalho para o outro, baseado em valores de solidariedade e de religiosidade, traduzidos em uma atitude pró-ativa frente às questões sociais. Há nesta forma de se conduzir socialmente, um traço de generosidade, somado a um sentimento de reciprocidade ideológica e comunitária. Não deixou, entretanto, de existir a dimensão do trabalho para si, pois o voluntariado colabora para dar sentido à existência.

Finalmente, o título desta monografia me leva à consideração de que os sujeitos, social e voluntariamente ativos, são aqueles que efetivamente estão envolvidos com uma das grandes questões da contemporaneidade: as práticas voluntárias. Encontram nelas uma forma saudável de viver a aposentadoria e a velhice, de estar integrado no mundo – esferas pública e privada -, abrindo, pois, um espaço possível de atuação e significado que contribui para o reconhecimento de um lugar social e político para o segmento da população que envelhece.

BIBLIOGRAFIA

 

ARENDT, H. (1989) A condição humana. Rio de Janeiro: Forense.

ARRUDA, R. (2000) Artigo: Uma boa notícia: estão sobrando voluntários. Coluna Internacional do jornal Estado de São Paulo, 01/11.

BEAUVOIR, S. (1990) A velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira

BIRMAN, J. (1995) Futuro de todos nós: temporalidade, memória e terceira idade na psicanálise. In: Terceira Idade. Um envelhecimento digno para o cidadão do futuro. VERAS, R.P. Rio de Janeiro: Relume Dumará:

CORRULLÓN, M. B (s/d) O voluntariado no Brasil. In: apostila Terceiro Setor, elaborada pelo Programa Voluntários do Conselho da Comunidade Solidária (s/d).

DEBERT, G. G. (1994). Pressupostos da reflexão antropológica. (1994). Textos didáticos. Campinas, SP: IFCH/UNICAMP, 1 (13); 7-30, mar.

DEBERT, G. G. e SIMÕES, J. A. (1994). A aposentadoria e a invenção da “Terceira Idade”. Textos didáticos. Campinas, SP: IFCH/UNICAMP, 1(13): 31-48, mar.

FERRIGNO, J. C. (1998). Grupos de reflexão sobre o envelhecimento: uma proposta de reconstrução da autonomia de homens e mulheres na Terceira Idade. São Paulo: Gerontologia. SBGG, 6 (1): 27-33.

LOPES, R.G.C. (1990) Velhos Indignos; uma investigação a respeito do projeto de vida de idosos que se mantém socialmente ativos. Dissertação de Mestrado em Psicologia Social. São Paulo: PUCSP.

LEAL, N. L. (2001) Artigo: Os indicadores sociais dão um salto em sete anos. Caderno Geral do jornal O Estado de São Paulo, 05/04.

MAGALHÃES, D.N. (1987) A invenção social da velhice. Rio de Janeiro: Edição do Autor.

QUEIROZ, M.I. (1988) Relatos Orais: do “indizível ao dizível”. In: VON SIMON (org.) Experimentos com histórias de vida. (Itália- Brasil) Rio de Janeiro: Vértice.

SECCO, C.L.T. (1994) Além da idade da razão. Longevidade na ficção brasileira. Rio de Janeiro: Graphia.

 

Contato: mcristinadalrio@gmail.com

 

 

[1] Síntese dos indicadores sociais 2000, feita pelo IBGE (período 1992/1999), revela que aumentou o número de crianças na escola, a taxa de mortalidade infantil caiu, há menos analfabetos e os idosos vivem mais. Entretanto, a maior marca da nossa sociedade é a desigualdade. Apesar da renda ter crescido 30%, a má distribuição do dinheiro agravou-se: cresce mais para os 10% mais ricos (de 13,3 para 18,4 salários mínimos) e menos para os 40% mais pobres (de 0,7 para 0,98 salário mínimo) (Leal, 2001).

[2] Atividade não remunerada, prestada por pessoa física à entidade pública de qualquer natureza ou instituição privada sem fins lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive, mutualidade (Lei nº 9.608, de 18/12/98).

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *